Psoríase Pustulosa Palmoplantar e do Couro Cabeludo: Quando o Corpo Reage de Forma Paradoxal
- Dra. Kellen Chechinato

- 7 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
A psoríase é uma condição inflamatória crônica da pele, conhecida por suas placas vermelhas e escamosas. No entanto, há formas menos conhecidas, como a psoríase pustulosa palmoplantar e a do couro cabeludo, que podem surgir como um efeito paradoxal relacionado a um foco infeccioso.
Neste artigo, vamos explorar de forma dinâmica e acessível o que são essas condições, suas possíveis causas, formas de transmissão (ou ausência dela), prevenção e tratamentos.
O que é Psoríase Pustulosa Palmoplantar e do Couro Cabeludo?
A psoríase pustulosa palmoplantar é uma forma rara de psoríase caracterizada pelo aparecimento de pústulas (bolhas de pus não infecciosas) nas palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões podem ser dolorosas, causar descamação intensa e afetar gravemente a qualidade de vida.
Já a psoríase do couro cabeludo é mais comum e se manifesta como áreas inflamadas e descamativas no couro cabeludo, que podem ser confundidas com caspa grave ou dermatite seborréica. Em ambos os casos, quando associadas a um foco infeccioso, as manifestações podem se agravar ou surgir de forma inesperada, o que chamamos de efeito paradoxal.
O Que é o Efeito Paradoxal em Psoríase?
O termo "efeito paradoxal" refere-se a uma resposta inflamatória inesperada do organismo que, em vez de aliviar a condição, acaba desencadeando ou agravando os sintomas.
No caso da psoríase, isso pode ocorrer quando há um foco infeccioso em alguma parte do corpo, como:
Infecções bacterianas (como amigdalites ou infecções dentárias);
Infecções virais (como herpes);
Infecções fúngicas ou outros processos inflamatórios crônicos.
Esses focos infecciosos ativam o sistema imunológico, que já é hiperativo em pessoas com psoríase, desencadeando um desequilíbrio imunológico. Esse desequilíbrio pode levar ao surgimento ou piora de formas específicas de psoríase, como a pustulosa palmoplantar e a do couro cabeludo.
Psoríase é Transmissível?
Não, a psoríase não é contagiosa!
Isso significa que não há risco de transmissão por contato físico, compartilhamento de objetos ou proximidade com uma pessoa que tenha psoríase. Mesmo as pústulas presentes na psoríase pustulosa não são infecciosas; elas são uma manifestação do processo inflamatório interno, e não resultado de uma infecção externa.
O fator chave da psoríase é a disfunção do sistema imunológico, e não uma infecção transmissível.
Sintomas Característicos
As formas pustulosa palmoplantar e do couro cabeludo compartilham alguns sintomas, mas também têm características únicas:
Psoríase Pustulosa Palmoplantar
Pústulas cheias de líquido não infeccioso nas mãos e pés;
Descamação espessa e dolorosa;
Vermelhidão e inflamação local;
Possibilidade de rachaduras e fissuras que dificultam atividades do dia a dia.
Psoríase do Couro Cabeludo
Placas espessas e descamativas, muitas vezes cobertas por escamas esbranquiçadas;
Coceira intensa, que pode ser incapacitante;
Áreas de vermelhidão e inflamação no couro cabeludo;
Em casos graves, pode levar à queda de cabelo temporária.

Como Prevenir o Efeito Paradoxal?
Embora não seja possível evitar completamente a psoríase, algumas medidas podem ajudar a prevenir ou minimizar os efeitos paradoxais associados a focos infecciosos:
Tratamento Rápido de Infecções
Identifique e trate infecções bacterianas, virais ou fúngicas o mais rápido possível para evitar a ativação do sistema imunológico.
Manutenção da Saúde Bucal
Infecções dentárias podem atuar como gatilhos para o efeito paradoxal. Visite o dentista regularmente.
Cuidado com a Pele
Evite traumas na pele, que podem desencadear lesões psoriáticas devido ao fenômeno de Koebner (lesões causadas por trauma).
Gerenciamento do Estresse
O estresse é um gatilho comum para crises de psoríase. Pratique técnicas de relaxamento, como meditação ou yoga.
Evite Automedicação
Alguns medicamentos podem agravar a psoríase. Sempre consulte um médico antes de iniciar novos tratamentos.
Diagnóstico
O diagnóstico da psoríase pustulosa palmoplantar e do couro cabeludo exige uma avaliação clínica cuidadosa por um dermatologista.
Histórico médico: Incluindo histórico familiar de psoríase e presença de focos infecciosos.
Exame físico: Identificação das lesões características.
Exames laboratoriais: Para descartar infecções ou condições associadas.
Biópsia de pele: Em casos mais complexos, uma biópsia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e descartar outras condições inflamatórias ou infecciosas.
Tratamento
O tratamento da psoríase pustulosa palmoplantar e do couro cabeludo requer uma abordagem individualizada, considerando a gravidade dos sintomas e a presença de focos infecciosos.
1. Controle do Foco Infeccioso
O tratamento eficaz da infecção subjacente é essencial para controlar o efeito paradoxal. Isso pode incluir:
Antibióticos para infecções bacterianas;
Antivirais para infecções virais;
Antifúngicos para infecções fúngicas.
2. Terapia Tópica
Corticosteroides tópicos para reduzir a inflamação;
Cremes emolientes e hidratantes para melhorar a barreira cutânea.
3. Terapia Sistêmica
Em casos graves ou resistentes ao tratamento tópico, podem ser indicados medicamentos sistêmicos, como:
Imunossupressores (metotrexato, ciclosporina);
Terapias biológicas (inibidores de citocinas específicas, como IL-17 ou IL-23).
4. Fototerapia
A exposição controlada à luz ultravioleta pode ser eficaz para aliviar os sintomas, especialmente nas formas resistentes de psoríase.
5. Cuidados Complementares
Evitar irritantes na pele, como produtos químicos agressivos;
Adotar uma dieta equilibrada e rica em nutrientes para apoiar a saúde da pele.

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